Relato Detalhado
Vítima principal: Daiane Marques (36a).
Daiane Marques, 36 anos, morreu após sofrer uma queda durante a descida em rapel na Pedra do Elefante, em Andradas/MG. A vítima estava acompanhada por um casal e o grupo optou por realizar o rapel, embora houvesse a possibilidade de realizar a descida por uma rota a pé.
O local possuía uma descida de aproximadamente 40 metros que exigia o uso de duas cordas, inclusive para permitir o posterior recolhimento do sistema sem a necessidade de deixar uma corda abandonada na via. Apesar de o grupo dispor de duas cordas — uma utilizada inicialmente pela vítima e outra pelo casal —, Daiane optou por realizar a descida utilizando apenas uma corda. Havia sinalização no local indicando a necessidade de utilização de duas cordas.
Segundo as informações disponíveis, o grupo também teria acessado o local de descida por uma linha diferente da recomendada. Em vez de realizar o rapel pela Era do Gelo, teria seguido pela região das vias Nimbus e Cumulus, onde se encontra o sistema de rapel.
O casal não presenciou diretamente a queda. Quando chegou à parada onde Daiane deveria estar, percebeu que a corda estava correndo pelo sistema e não conseguiu estabelecer comunicação com ela. Segundo o relato, a vítima teria ultrapassado a parada sem conseguir interromper a descida, sofrendo uma queda estimada em aproximadamente 130 metros. A corda teria sido puxada juntamente com a vítima e permaneceu junto ao corpo após a queda.
Daiane utilizava capacete, que foi encontrado severamente danificado, e não utilizava o nó de segurança na extremidade da corda. Também não havia um cordão de segurança/prussik conectado ao sistema de rapel. O impacto teria provocado lesões fatais, havendo indicação de trauma craniano e cervical.
De acordo com as informações levantadas, Daiane conhecia a Pedra do Elefante e frequentava o local, tendo conhecimento da existência do rapel de aproximadamente 40 metros e da necessidade de utilização de duas cordas para a realização segura da descida e posterior recuperação do sistema.
Causa provável: queda durante rapel, após ultrapassagem da parada, com queda livre estimada em aproximadamente 130 metros.
Fatores contribuintes: utilização de apenas uma corda em sistema que exigia duas; ausência de nó de segurança na extremidade da corda; ausência de sistema de segurança secundário (prussik); possível erro de identificação/escolha da linha de descida; e ausência de comunicação visual ou verbal entre a vítima e os demais integrantes durante a progressão.
Observação: A dinâmica exata da queda e a sequência dos eventos devem ser tratadas com cautela quando baseadas em relatos posteriores, especialmente quanto à posição corporal da vítima no momento do impacto e à causa imediata da morte.
Fonte(s): G1 Piracicaba (06/07/2025); G1 Sul de Minas (06/07/2025); Terra (07/07/2025); Banda B (07/07/2025); CNN Brasil (07/07/2025).
Sugestões de Prevenção
Antes de iniciar o rapel, é fundamental confirmar se o ponto escolhido corresponde efetivamente à linha de descida prevista e verificar as características do sistema instalado no local. Quando a descida exige duas cordas, essa configuração deve ser respeitada, mesmo que tecnicamente pareça possível alcançar uma parada intermediária com uma única corda. A existência de placa ou orientação no local deve ser considerada parte do sistema de segurança, e não apenas uma recomendação.
Antes de cada descida, deve ser realizada uma checagem cruzada entre os integrantes do grupo, verificando a ancoragem, a passagem correta da corda pelo dispositivo, o fechamento dos conectores, o comprimento disponível da corda e, principalmente, se as duas extremidades alcançam o ponto previsto para a parada ou para o término da descida. Um nó de segurança nas extremidades da corda é uma barreira simples e importante contra a passagem acidental da corda pelo dispositivo de descida. Da mesma forma, um sistema de segurança secundário, como o prussik, pode oferecer uma camada adicional de proteção em caso de perda de controle ou necessidade de interromper a descida.
Em rapéis com paradas intermediárias, o escalador deve chegar à parada sob controle, interromper a descida e confirmar sua posição antes de prosseguir. Não se deve simplesmente ultrapassar uma parada por acreditar que ela pode ser alcançada ou ignorada. Quando não houver comunicação visual ou verbal entre os integrantes, devem ser estabelecidos previamente sinais claros ou outro meio de comunicação.
Outro aspecto fundamental é não alterar a configuração de segurança por conveniência. O fato de o praticante conhecer a montanha, já ter realizado aquela atividade anteriormente ou considerar a descida tecnicamente simples não elimina os riscos. Familiaridade com o local pode, inclusive, favorecer a normalização de procedimentos inadequados. Neste caso, a experiência prévia da vítima e seu conhecimento da existência do rapel de aproximadamente 40 metros e da necessidade de duas cordas reforçam a importância de manter os procedimentos de segurança mesmo em uma atividade conhecida.
Por fim, quando houver mais de uma possibilidade de retorno, deve-se avaliar se o rapel realmente oferece vantagem sobre a descida a pé. Se o rapel for escolhido, toda a operação deve ser planejada de acordo com a linha correta, o comprimento das cordas, as paradas existentes e as possibilidades de abandono ou resgate. A regra mais importante é que nenhuma etapa do sistema seja deixada para ser “resolvida durante a descida”. O sistema deve estar completamente compreendido e conferido antes que o primeiro integrante deixe a parada.
Lição principal do acidente: neste caso, a prevenção passa sobretudo por não improvisar a configuração do rapel. Uma corda a mais, um nó na extremidade e um prussik são medidas simples; porém, o mais importante é a conferência completa do sistema antes da descida e o cumprimento da configuração prevista para aquela linha de rapel.
Este relato foi publicado de forma anônima em conformidade com a LGPD (Lei nº 13.709/2018).
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