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Pedra do Escalavrado

Data Ocorrência — 04/05/2025
Trekking / Montanhismo Guapimirim — Rio de Janeiro Descendo

Local do Incidente

Pedra do Escalavrado
Guapimirim
Rio de Janeiro

Contexto da Atividade

Trekking / Montanhismo
Descendo
Trilha
Muito frio (0–10 °C)

Causas e Fatores Contribuintes

Comportamento de risco / imprudência
Sim
Sem capacete Equip. inadequado Segurança inadequada Noite

Envolvidos

10
Grupo grande
Nao
Nao
Iniciante (<1 ano)

Consequências

Resposta e Resgate

Sim
Corpo de Bombeiros
Não

Relato Detalhado

Fatos: . o grupo iniciou uma trilha considerada de alto risco; . havia um casal de idosos entre os participantes; . um integrante se lesionou e retornou sozinho; . o restante do grupo permaneceu na trilha até anoitecer; . nenhum dos participantes levava lanternas ou agasalhos, apesar da possibilidade previsível de atraso e da queda de temperatura na montanha; . foi necessária uma operação de resgate que durou várias horas. A imprudência é o fator que melhor se ajusta às informações disponíveis. A decisão de realizar uma travessia em ambiente de montanha sem equipamentos básicos para uma eventual progressão noturna, como lanternas, e sem vestuário adequado para enfrentar a queda de temperatura, representa a assunção de riscos previsíveis. Em atividades de montanha, atrasos fazem parte dos cenários esperados e devem ser considerados no planejamento. Caso o grupo tenha optado por prosseguir a atividade mesmo diante do comprometimento do cronograma, esse comportamento reforça a caracterização da imprudência. Negligência Também há indícios de negligência, embora de forma secundária. A ausência de equipamentos essenciais evidencia uma falha no planejamento e na preparação da atividade, caracterizando uma omissão quanto aos cuidados mínimos recomendados para esse tipo de ambiente. Entretanto, essa omissão está diretamente relacionada à decisão de realizar a atividade em condições inadequadas, razão pela qual a negligência aparece como fator complementar à imprudência. Imperícia As informações divulgadas não permitem afirmar, de forma conclusiva, a existência de imperícia. Contudo, há elementos que justificam considerá-la como uma hipótese a ser investigada. O fato de o grupo não ter conseguido concluir a travessia ou retornar por meios próprios pode indicar insuficiência de conhecimentos técnicos, habilidades ou experiência compatíveis com as exigências do percurso. Entretanto, essa conclusão dependeria da apuração de aspectos como o nível de experiência dos participantes, a existência de liderança técnica, as decisões adotadas durante a progressão, a capacidade de navegação e o gerenciamento dos riscos ao longo da atividade. Assim, embora o desfecho seja compatível com uma possível deficiência técnica, os elementos públicos disponíveis são insuficientes para caracterizar, por si só, a imperícia. Caso houvesse um guia ou condutor A eventual presença de um guia ou condutor não altera automaticamente a classificação dos fatores humanos. Se o responsável técnico conduziu o grupo sem verificar a posse de equipamentos essenciais, aceitou iniciar ou prosseguir a atividade em condições incompatíveis com as boas práticas de segurança, ou deixou de adotar medidas de contingência diante do atraso da progressão, sua conduta poderá caracterizar imprudência e, eventualmente, negligência. Caso fique demonstrado que as decisões decorreram de deficiência técnica ou incapacidade para conduzir a atividade, também poderá haver caracterização de imperícia. Conclusão Com base exclusivamente nas informações divulgadas, a classificação mais adequada é: Fator predominante: imprudência. Fator secundário: negligência, em razão das falhas de planejamento e da ausência de equipamentos essenciais. Imperícia: não pode ser confirmada com os dados disponíveis, embora existam indícios que recomendam sua investigação, especialmente diante da incapacidade do grupo de concluir a atividade ou retornar em segurança pelos próprios meios. Para fins de registro em formulário de análise de acidentes e incidentes em montanha, o fator humano predominante seria classificado como imprudência, descrevendo-se que houve planejamento inadequado, assunção de riscos previsíveis e preparação insuficiente para uma atividade em ambiente de montanha, sem prejuízo da necessidade de investigação complementar quanto à eventual existência de imperícia. https://g1.globo.com/rj/regiao-serrana/noticia/2025/05/06/bombeiros-resgatam-grupo-de-dez-pessoas-em-trilha-de-alto-risco-em-teresopolis-casal-de-idosos-estava-entre-os-resgatados.ghtml

Sugestões de Prevenção

1. Planejamento adequado da atividade Estudar previamente o percurso, sua dificuldade, extensão, desnível e tempo médio de realização. Planejar horários de início e término com margem de segurança para imprevistos. Definir pontos de retorno ("turn around time"), interrompendo a atividade caso o cronograma seja comprometido. 2. Equipamentos obrigatórios Cada participante deve portar, no mínimo: lanterna (preferencialmente de cabeça) com baterias carregadas; agasalho compatível com a temperatura prevista e eventual permanência prolongada na montanha; água e alimentação suficientes; kit básico de primeiros socorros; telefone celular com bateria carregada (ou meio alternativo de comunicação, quando aplicável). 3. Avaliação da capacidade do grupo Compatibilizar a dificuldade da trilha com o condicionamento físico, a experiência e as habilidades técnicas dos participantes. Considerar o ritmo do integrante mais lento para o planejamento da atividade. Evitar percursos de alta complexidade com participantes sem experiência compatível. 4. Capacitação técnica Buscar treinamento em: navegação terrestre; gestão de riscos em ambientes naturais; primeiros socorros em áreas remotas; técnicas de progressão e retorno seguro em terreno de montanha. 5. Liderança e gerenciamento do grupo Designar um líder responsável pelas decisões durante a atividade. Realizar conferência ("checklist") dos equipamentos antes da partida. Monitorar continuamente o tempo, as condições climáticas e o estado físico dos participantes. Reavaliar o prosseguimento da atividade sempre que ocorrerem atrasos, lesões ou outras intercorrências. 6. Plano de emergência Informar terceiros sobre o roteiro e o horário previsto de retorno. Definir procedimentos para casos de acidente, perda de orientação ou impossibilidade de prosseguir. Conhecer previamente os meios de acionamento das equipes de resgate. 7. Cultura de segurança Não confiar exclusivamente na possibilidade de acionamento do Corpo de Bombeiros ou de equipes de resgate. Adotar o princípio da autossuficiência, levando equipamentos e conhecimentos suficientes para lidar com atrasos e intercorrências previsíveis.

Anexo

Anexo do relato

O Grupo foi resgatado pelo Corpo de Bombeiros na Trilha do Escalavrado. — Foto: Corpo de Bombeiros

Este relato foi publicado de forma anônima em conformidade com a LGPD (Lei nº 13.709/2018). Os dados de contato do relator não são divulgados.