Relato Detalhado
Escaladora X, iniciante, ao final de uma sessão de mais de seis horas de escalada, encontrava-se extremamente confiante em um ambiente cheio e barulhento. Sem fazer o uso de capacete e guiando uma via em seu grau limite de dificuldade, ela chegou até o crux da rota, momento em que seu corpo começou a dar sinais de exaustão.
A Escaladora X avisou duas vezes que iria sofrer uma queda (vacar). No entanto, por falta de atenção ao posicionamento da corda em relação às suas pernas, a corda acabou virando-a de ponta-cabeça durante o pêndulo da queda. Ela bateu a cabeça na rocha, desmaiou imediatamente e permaneceu inconsciente até ser descida pela sua dupla de segurança.
Logo após a descida, o Bombeiro B e o Socorrista C, que estavam no local em outro grupo de escaladores, iniciaram os primeiros socorros. Simultaneamente, 2 amigos da vítima correram até a entrada do setor para acionar o serviço de emergência externo e buscaram uma maca rígida para transportá-la até uma área que permitisse o acesso das equipes de salvamento.
Nesse intervalo, o Bombeiro B e o Socorrista C conseguiram reanimar a Escaladora X e a mantiveram acordada até a chegada do resgate terrestre. A equipe médica de solo avaliou a gravidade da situação e constatou a necessidade de evacuação aeromédica. O helicóptero de resgate chegou cerca de 40 minutos depois, realizando a extração por via aérea.
No acidente, a Escaladora X sofreu um traumatismo cranioencefálico (TCE), otorragia (sangramento pelo ouvido) e ruptura timpânica, que resultou em perda auditiva imediata. Ela permaneceu internada por 11 dias e apresentou uma excelente evolução clínica, restando inicialmente as seguintes sequelas temporárias (já revertidas ou em processo de recuperação): perda temporária de audição, recuperada gradualmente; vertigem temporária, decorrente de trauma no sistema vestibular (labirinto).
Após o ocorrido e com a devida aplicação de todos os protocolos de segurança, a Escaladora X continua escalando.
Sugestões de Prevenção
1 - Utilizar o capacete de escalada de forma inegociável em qualquer graduação ou modalidade (via esportiva, tradicional, guiada ou top), independentemente da dificuldade da via.
2 - Reconhecer os sinais corporais de fadiga. Evitar guiar vias no limite físico e técnico (grau limite) ao final de sessões longas de atividade.
3 - Sempre que houver um sentimento de extrema confiança ou euforia, forçar uma pausa deliberada para revisar o checklist de segurança (nós, equipamentos, condicionamento corporal, posicionamento de corda, ambiente).
4 - Em setores de escalada cheios e barulhentos, redobrar a atenção para qualquer um dos aspectos mencionados.
5 - Praticar e instruir escaladores sobre a correta projeção do corpo e o monitoramento constante da corda durante a escalada guiada (nunca deixar a corda passar por trás da perna) para garantir quedas limpas e seguras.
Este relato foi publicado de forma anônima em conformidade com a LGPD (Lei nº 13.709/2018).
Os dados de contato do relator não são divulgados.