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Até o momento, temos 11.040 vias cadastradas em 1.893 locais de 453 cidades de 24 estados brasileiros, sendo 5.081 vias de Esportiva, 5.068 vias de escalada Tradicional Clássica, 662 vias de Bouldering, 78 vias de Artificial, 68 vias de Big Wall, 61 vias de Tradicional Esportiva, 9 vias de Psicobloc, 8 vias de Descida, 4 vias de Esportiva de Exposição e 1 via de Highball Bouldering.

O CONTRÁRIO NUNCA ACONTECE

Data Ocorrência — 07/06/2026
Escalada Rio de Janeiro — Rio de Janeiro Subindo

Local do Acidente

Morro Dona Marta
Rio de Janeiro
Rio de Janeiro

Contexto da Atividade

Escalada
Subindo
Rocha
Sol
Temperatura amena (15–25 °C)

Causas e Fatores Contribuintes

Queda / Escorregão
Sim

Envolvidos

1
Adulto (46–55 anos)
Masculino
Dupla
Sim
Sim
Avançado (>3 anos)

Consequências

Sim
Sim
Luxação/Subluxação

Resposta e Resgate

Sim
Helicóptero
20 min
Sim
Celular com sinal

Relato Detalhado

Em 07 de junho de 2026, Emerson Gaier (53) escalava, em companhia de sua esposa Maira, a via "O Contrário Nunca Acontece", no Paredão Dona Marta, Setor Fantasma, no Rio de Janeiro. Após superar o crux da via, durante um movimento de alcance para uma agarra, perdeu o apoio do pé direito e transferiu bruscamente o peso do corpo para o braço esquerdo, sofrendo luxação do ombro. Consciente, o escalador foi inicialmente descido até a base da via com auxílio da cordada. Outros montanhistas do Clube Excursionista Carioca (CEC), que escalavam uma via próxima, prestaram assistência. Um dos integrantes, médico, avaliou a situação e, diante da intensa dor e da suspeita de luxação sem sinais aparentes de fratura, realizou a redução do ombro, após tentativa inicial de auto-redução orientada, obtendo sucesso e alívio significativo da dor. Diante da dificuldade de realizar a retirada da vítima pela trilha, devido à condição do terreno e à lesão, foi acionado o Corpo de Bombeiros. Optou-se pelo resgate aéreo. Em aproximadamente 20 minutos, um helicóptero chegou ao local e realizou a extração da vítima por meio de corda, conduzindo-a inicialmente ao cume e, posteriormente, à base operacional na Lagoa. Após avaliação médica, Emerson foi encaminhado de ambulância ao Hospital Municipal Miguel Couto, onde exames de imagem não identificaram fratura. Recebeu atendimento ortopédico e foi posteriormente liberado. A operação mobilizou militares do 1° Grupamento de Bombeiro Militar (Humaitá), com apoio do 1° Grupamento de Socorro Florestal e Meio Ambiente (1° GSFMA), unidade especializada em salvamentos em ambientes de mata e montanha, além da aeronave do Grupamento de Operações Aéreas (GOA).

Sugestões de Prevenção

O acidente poderia ter sido evitado ou seu risco reduzido com uma avaliação mais conservadora do movimento a ser realizado. Em vias de aderência, especialmente após a passagem de um trecho difícil, o escalador deve evitar movimentos de alcance ou “rebote” quando a posição corporal não oferecer estabilidade suficiente. Antes de executar o movimento, é importante avaliar a qualidade da agarra, a posição dos pés, a possibilidade de manter o centro de gravidade próximo à parede e, principalmente, se o movimento exigirá uma sobrecarga excessiva de um único braço. Deve-se evitar a realização de movimentos dinâmicos ou de alcance com o braço excessivamente aberto e o corpo mal posicionado, pois uma perda inesperada do apoio dos pés pode transferir grande parte da carga para o ombro e aumentar o risco de luxações ou outras lesões. Quando houver dúvida sobre a qualidade do movimento, uma alternativa mais segura é reposicionar os pés, buscar uma posição de maior equilíbrio, utilizar uma agarra intermediária ou recuar para descansar e reavaliar a sequência. A ocorrência também reforça a importância de reconhecer os próprios limites durante a escalada. O fato de o movimento parecer tecnicamente possível não significa que seja a opção mais segura naquele momento. A tomada de decisão deve considerar fadiga, concentração, posição corporal e margem de segurança. Em situações de dúvida, optar pela solução tecnicamente mais simples e estável é uma estratégia eficaz de prevenção. Por fim, o episódio demonstra que muitos acidentes de escalada não estão necessariamente relacionados à falha de equipamentos ou proteções, mas podem resultar de uma decisão momentânea durante a execução de um movimento. A adoção de uma postura mais conservadora diante de movimentos que exijam grande extensão, especialmente quando dependentes de um único membro superior, pode reduzir significativamente o risco de lesões.

Anexo

Anexo do relato

Emerson Gaier

Este relato foi publicado de forma anônima em conformidade com a LGPD (Lei nº 13.709/2018). Os dados de contato do relator não são divulgados.