Até o momento, temos 11.040 vias cadastradas em 1.893 locais de 453 cidades de 24 estados brasileiros, sendo 5.081 vias de Esportiva, 5.068 vias de escalada Tradicional Clássica, 662 vias de Bouldering, 78 vias de Artificial, 68 vias de Big Wall, 61 vias de Tradicional Esportiva, 9 vias de Psicobloc, 8 vias de Descida, 4 vias de Esportiva de Exposição e 1 via de Highball Bouldering.
VIA TEIXEIRA ⚠
Data Ocorrência — 15/11/1933
EscaladaFatalidade
Guapimirim — Rio de Janeiro Descendo
Sem capaceteEquip. inadequadoSegurança inadequadaEscalando sozinhoNoite
Envolvidos
1
Adulto (26–35 anos)
Masculino
Nao
Nao
Instrutor / Guia
Consequências
Não
Sim
Fatalidade
Resposta e Resgate
Sim
Outro
Relato Detalhado
Primeira morte no Montanhismo Brasileiro, guia do CEB Antenor Villela Bastos, 33 anos.
O grupo realizou a escalada do Dedo de Deus pela Via Teixeira, rota histórica conquistada em 1912 pelos teresopolitanos José Teixeira Guimarães, Raul Carneiro e os irmãos Américo, Alexandre e Acácio de Oliveira. A via atualmente é considerada uma rota clássica e possui cerca de 60 m na parte cadastrada, com predominância de chaminés.
Em 1933, entretanto, a escalada era muito diferente da atual. Ainda se utilizavam equipamentos rudimentares e técnicas que hoje parecem extremamente precárias. Relatos históricos mencionam cordas de sisal, botas ou calçados sem a aderência das modernas sapatilhas, grampos primitivos e diversos equipamentos improvisados.
Segundo o Plano de Manejo do PARNASO, Villela Bastos sofreu uma queda durante a descida do cume, aparentemente depois de escorregar de um platô.
A tradição oral do montanhismo acrescenta uma circunstância dramática: o grupo teria chegado a um ponto em que o horário avançado impediu uma descida segura. Villela teria decidido retornar sozinho ao acampamento para buscar cobertores para os companheiros que estavam expostos ao frio. Não teria retornado. Na manhã seguinte, os demais teriam descido e encontrado seu corpo sobre uma árvore, abaixo da via.
Essa versão aparece de forma bastante clara em relatos de montanhistas mais antigos. O Centro Excursionista Light, por exemplo, registra que Villela teria levado uma turma ao Dedo de Deus, que anoiteceu na montanha, e que ele teria descido para buscar cobertores, sendo encontrado morto na manhã seguinte, caído sobre uma árvore.
Um depoimento de Cionyra Hollup, montanhista de longa trajetória, reproduz a mesma história: ela relata que, quando passou pelo Paredão Vilela, ouviu a história de que Villela teria descido durante a noite para buscar cobertores para as moças que estavam com frio e, na manhã seguinte, teria sido encontrado "espetado num galho".
Fontes: ICMBio/PARNASO, Plano de Manejo do Parque Nacional da Serra dos Órgãos; LUCENA, Waldecy. História do Montanhismo no Rio de Janeiro (2006); Centro Excursionista Brasileiro (CEB), histórico de conquistas.
Sugestões de Prevenção
Embora o acidente tenha ocorrido em 1933, em uma época em que equipamentos, técnicas de escalada, sistemas de proteção e recursos de comunicação eram muito diferentes dos atuais, alguns princípios básicos de segurança permanecem aplicáveis. A principal medida preventiva seria evitar a exposição desnecessária à descida em condições de baixa visibilidade ou durante a noite, especialmente em terreno vertical e desconhecido. O planejamento da atividade deveria estabelecer previamente um horário-limite para iniciar o retorno, considerando o tempo necessário para a descida e uma margem de segurança para imprevistos. Caso o grupo percebesse que não seria possível concluir a descida com segurança antes do anoitecer, seria preferível permanecer em local protegido e organizado até o amanhecer, desde que as condições permitissem, em vez de expor um integrante isoladamente a uma descida noturna.
Também seria importante manter o grupo reunido durante situações de emergência ou alteração do planejamento, evitando que um integrante se afastasse sozinho para buscar equipamentos ou suprimentos. A experiência de Antenor Villela Bastos demonstra que a familiaridade com a montanha e a experiência técnica não eliminam os riscos associados à fadiga, à baixa visibilidade, à exposição ao frio e à tomada de decisões sob pressão. Atualmente, esses princípios são reforçados pelo uso de capacetes, cadeiras, cordas e sistemas de proteção modernos, iluminação individual, comunicação, navegação e equipamentos redundantes, recursos que evidentemente não estavam disponíveis ou difundidos em 1933. Ainda assim, planejamento, controle do horário, avaliação das condições, permanência em grupo e decisão conservadora diante da deterioração das condições eram — e continuam sendo — medidas fundamentais para reduzir o risco de acidentes.
Contexto histórico: A análise preventiva deste acidente deve considerar as condições do montanhismo brasileiro em 1933. O Dedo de Deus havia sido conquistado apenas duas décadas antes, e os equipamentos e métodos empregados pelos pioneiros eram significativamente mais rudimentares que os atuais. Não havia os modernos sistemas de proteção individual, iluminação, comunicação e resgate, tampouco a atual cultura de gerenciamento sistemático de riscos. Assim, as recomendações acima devem ser entendidas como princípios de segurança aplicáveis à atividade, e não como julgamento técnico retrospectivo dos procedimentos utilizados pelos montanhistas daquela época.
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