Até o momento, temos 11.040 vias cadastradas em 1.893 locais de 453 cidades de 24 estados brasileiros, sendo 5.081 vias de Esportiva, 5.068 vias de escalada Tradicional Clássica, 662 vias de Bouldering, 78 vias de Artificial, 68 vias de Big Wall, 61 vias de Tradicional Esportiva, 9 vias de Psicobloc, 8 vias de Descida, 4 vias de Esportiva de Exposição e 1 via de Highball Bouldering.
Pico do Dedo de Deus ⚠
Data Ocorrência — 18/07/1943
EscaladaFatalidade
Guapimirim — Rio de Janeiro Subindo
O episódio ocorreu no Dedo de Deus, em Teresópolis, em 18 de julho de 1943, durante uma excursão organizada pelo Centro dos Excursionistas Brasileiros (CEB).
A excursão havia começado no sábado anterior, quando aproximadamente 15 pessoas partiram do Rio de Janeiro em direção a Teresópolis. O grupo era chefiado pelo então vice-presidente do CEB, Hugo Blume, e tinha como guia Hamilcar Reigas, montanhista experiente.
O objetivo da excursão é particularmente interessante: não era originalmente realizar uma escalada do Dedo de Deus. O grupo pretendia instalar três placas comemorativas nos acampamentos denominados:
. Paredão Vilela;
. Embaixador Caffery;
. E. Bendy.
Ou seja, a atividade tinha também um caráter institucional e histórico, relacionado à memória do montanhismo. Isso explica por que havia no grupo pessoas com diferentes níveis de experiência.
Entre os excursionistas estava Arvila Maria de Freitas, esposa do Dr. Raul Alexandre de Freitas, funcionário da Alfândega. A reportagem a descreve como uma esportista conhecida, tendo sido campeã de basquetebol e voleibol em associações femininas.
A dinâmica do acidente
No domingo à tarde, quando o grupo estava retornando, passou pela região da Chaminé das Pedras Soltas.
Segundo a reportagem contemporânea, naquele momento ocorreu o acidente: uma pedra se desprendeu da montanha e atingiu Arvila Maria de Freitas, atingindo-a frontalmente e provocando sua morte instantânea.
O próprio guia, Hamilcar Reigas, também foi atingido, mas sobreviveu. A reportagem informa que ele sofreu apenas ferimentos leves e foi socorrido pelos companheiros.
Isso faz deste segundo acidente um caso clássico de queda de objeto/bloco de rocha, e não propriamente de queda do montanhista.
Uma informação muito interessante sobre o local: A denominação Chaminé das Pedras Soltas não é apenas uma referência histórica. Um documento técnico da FEMERJ sobre o Dedo de Deus informa que, décadas depois, o trecho sofreu um desabamento. Como alternativa ao trecho original, foram instalados cabos de aço em outro setor. O documento de 2016 ainda identifica a antiga Chaminé das Pedras Soltas como um trecho que exigia atenção especial. Isso dá uma dimensão muito interessante ao acidente de 1943: o próprio nome do local já fazia referência à presença de pedras soltas, e o problema geológico/estrutural daquela seção continuou sendo relevante décadas depois.
Fontes: Diário Carioca, julho de 1943, Hemeroteca Digital Brasileira/Biblioteca Nacional; Centro Excursionista Brasileiro (CEB); FEMERJ, Diagnóstico dos Cabos de Aço do Dedo de Deus (2016).
Sugestões de Prevenção
Embora o acidente tenha ocorrido em 1943, quando capacetes, equipamentos de proteção individual, técnicas de escalada e procedimentos de gerenciamento de risco ainda eram muito diferentes dos atuais, a possibilidade de desprendimento de pedras poderia ser considerada na avaliação da atividade. Em uma formação como a Chaminé das Pedras Soltas, a observação prévia da estabilidade da rocha e a identificação de trechos com blocos instáveis deveriam orientar a escolha do trajeto e a forma de progressão. Sempre que possível, seria recomendável evitar a permanência de pessoas diretamente abaixo de integrantes que estivessem se deslocando por trechos com potencial de desprendimento de pedras, mantendo espaçamento suficiente entre os membros do grupo para reduzir a possibilidade de múltiplas vítimas.
A progressão deveria ser feita de maneira organizada, com atenção especial à movimentação de blocos aparentemente soltos e evitando-se apoiar ou puxar pedras cuja estabilidade fosse duvidosa. Em trechos reconhecidamente sujeitos à queda de pedras, a passagem individualizada e rápida pela zona de exposição poderia reduzir o tempo de permanência sob o risco. Também seria recomendável que o guia ou integrante mais experiente identificasse previamente os pontos mais vulneráveis e orientasse os demais sobre onde pisar, apoiar as mãos e posicionar-se.
Atualmente, medidas adicionais — como o uso de capacete, técnicas específicas para minimizar a exposição à queda de pedras, comunicação entre os integrantes e avaliação geológica ou técnica das vias — oferecem camadas de proteção que não estavam disponíveis ou disseminadas naquela época. Entretanto, o princípio fundamental permanece o mesmo: reconhecer previamente o perigo objetivo, minimizar a exposição e impedir que integrantes do grupo permaneçam desnecessariamente na linha de queda de pedras.
No caso específico de Arvila Maria de Freitas, não há elementos suficientes para afirmar que uma determinada conduta dos integrantes tenha provocado ou contribuído diretamente para o desprendimento da pedra. Assim, a prevenção deve ser apresentada como lição de segurança derivada do acidente, e não como atribuição de responsabilidade à vítima ou aos organizadores da excursão.
Contexto histórico: A denominação "Chaminé das Pedras Soltas" é, por si só, indicativa de que a presença de blocos instáveis constituía uma característica conhecida daquele setor. Ainda assim, não se deve presumir, sem documentação específica, que os participantes da excursão tivessem conhecimento da possibilidade de ocorrência de um desprendimento de grande porte naquele momento. A análise deve considerar que, em 1943, a compreensão sistematizada dos riscos objetivos da escalada e os recursos para sua mitigação eram muito mais limitados que os atuais.
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