Relato Detalhado
O guia de turismo Leilson Souza, de 36 anos, morreu após ser atingido por uma descarga elétrica na área conhecida como Cadeirinha, na região do cume.
Leilson conduzia um grupo de turistas até o cume da Pedra da Gávea. Segundo as reportagens, ele estava acompanhado de um casal de turistas e também de seu irmão. O grupo chegou à região da Cadeirinha, ponto bastante exposto do cume, quando as condições meteorológicas pioraram.
A turista Karlla Conceição Araújo da Silva, de 26 anos, estava filmando a paisagem e integrantes do grupo. Nas imagens, Leilson aparece afastando-se dos demais, usando mochila verde e boné preto, em direção a uma das extremidades da Cadeirinha. Poucos segundos depois ocorre a descarga elétrica. O vídeo não mostra claramente o impacto sobre o corpo, mas registra o estrondo e o momento imediatamente anterior.
Segundo o relato posterior da própria Karlla, Leilson teria se sentado em contato direto com a rocha. Ela afirmou que o raio atingiu o local e que a descarga foi extremamente forte, causando a morte imediata do guia.
Há ainda um aspecto particularmente relevante: pessoas do grupo teriam percebido sinais de eletrização iminente pouco antes do raio. Turistas relataram cabelo arrepiado, sensação de formigamento/coceira no dedo e ruídos semelhantes a energia elétrica. O especialista Osmar Pinto Júnior, do INPE, explicou posteriormente que esses fenômenos podem ocorrer quando o campo elétrico atmosférico se torna muito intenso, constituindo um sinal de perigo imediato.
Condições meteorológicas
As condições meteorológicas eram um componente fundamental do acidente.
Segundo as notícias da época, chovia bastante no momento da ocorrência, e a chuva teria chegado antes do que o grupo esperava.
O contexto meteorológico daquele fim de semana foi excepcional. No sábado, 18 de novembro, uma tempestade registrou 1.255 descargas elétricas em apenas quatro horas na cidade do Rio, equivalente a aproximadamente cinco raios por minuto. No domingo, dia do acidente, o mau tempo continuou. Dados citados pelo ELAT/INPE indicaram que sete raios atingiram a Pedra da Gávea entre 11h e 12h, justamente no período em que ocorreu o acidente.
Isso é importante porque mostra que não se tratou simplesmente de uma descarga isolada e imprevisível em condições aparentemente normais: havia uma atividade elétrica atmosférica muito significativa na região.
Resgate
O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta de 11h35–11h40. Equipes do quartel do Alto da Boa Vista deslocaram-se para a Pedra da Gávea e solicitaram apoio aéreo devido à dificuldade de acesso ao ponto onde a vítima se encontrava.
Quando os bombeiros chegaram, Leilson já estava morto. O corpo foi retirado da montanha com apoio de helicóptero e posteriormente encaminhado ao Instituto Médico-Legal.
Experiência da vítima
Esse não parece ter sido um caso envolvendo um visitante inexperiente. As fontes descrevem Leilson como montanhista e guia profissional, com aproximadamente dez anos de experiência na atividade. Ele também estudava Gestão Ambiental e mantinha registros de suas atividades de ecoturismo nas redes sociais.
Um colega de profissão, Raphael Sampaio, declarou que Leilson e outros profissionais que trabalhavam na região eram capacitados para a atividade, mas considerou o episódio uma fatalidade associada às condições meteorológicas.
Isso torna o caso particularmente interessante para análise de prevenção: experiência técnica e conhecimento da montanha não eliminam o risco de raio quando uma pessoa permanece em uma área elevada e exposta durante uma tempestade.
Sugestões de Prevenção
A prevenção de acidentes por raios em ambientes de montanha depende principalmente da retirada antecipada de áreas elevadas e expostas. Deve-se consultar previamente a previsão de trovoadas, monitorar continuamente a evolução das condições meteorológicas e estabelecer critérios objetivos para interromper a atividade. Ao primeiro sinal de aproximação de tempestade, o grupo deve abandonar cumes, cristas, mirantes, lajes e outros pontos expostos e procurar uma área de menor altitude e maior proteção. Não se deve aguardar a ocorrência do primeiro raio nem utilizar sinais como cabelo arrepiado ou formigamento como momento para iniciar a retirada, pois esses sinais indicam que a exposição já atingiu um nível extremamente perigoso. Em atividades guiadas, a decisão de abortar o roteiro deve prevalecer sobre o objetivo da atividade ou a pressão para chegar ao cume.
Este relato foi publicado de forma anônima em conformidade com a LGPD (Lei nº 13.709/2018).
Os dados de contato do relator não são divulgados.